domingo, 4 de dezembro de 2016

Ouro Preto; Sérgio Luís de Carvalho [Opinião]

Não foi à toa que na primeira rúbrica do blog Os Maias vieram à baila.

Após algum tempo em que mal conseguia ler um livro do princípio ao fim, Ouro Preto foi o escolhido, por várias vezes, recordei-me da boa, e rara, experiência que foi ler um livro para a escola, a grande obra que é o livro Os Maias do, para mim, visionário Eça de Queirós.

A narrativa deste livro é-nos dada a conhecer através de três pontos de vista que nos são apresentados em todos os capítulos, as cartas escritas por Pedro de Rates Henequim, nas quais este dá a conhecer a sua vida, as cartas escritas por Alexandre de Gusmão, onde nos relata a vida na corte, nomeadamente a de D. João V, e as publicações da Gazeta de Lisboa.

Através destes três pontos de vista é edificada a narrativa secundária, o modo como o então Reino de Portugal e seu Império são (mal) governados.

Um reino em que os luxos da nobreza e do clero se sobrepõe ás necessidades básicas de um povo que vive em dificuldades, em que a Inquisição não só é retrógrada como corrupta, em que as colónias, neste caso concreto o Brasil, não passam de fontes de riqueza que são exploradas até à exaustão, e em que até mesmo o povo não passa de uma cambada de ignorantes mais interessado nas vidas alheias do que em fazerem por melhorar a sua.

O que mais gostei neste livro foi sem dúvida o ponto de vista de Alexandre de Gusmão, por ser um dos poucos elementos da história que, de facto, era realista face aos acontecimentos ocorridos, e também por partilhar um pouco dos bastidores da realeza, e a personagem Branca do Céu, uma mulher com uma personalidade bastante única e bondosa.

Toda a escrita do autor é fabulosa, levando-nos a crer que este experienciou todos os momentos da narrativa, tendo um toque de ironia e de humor negro em muito semelhante a Eça de Queirós, só tenho a lamentar que não tenha havido um pouco mais de acção ao longo da história.

Recomendo esta obra a qualquer um que aprecie ler, mas especialmente aqueles que gostem de um bom romance histórico que esteja entrançado com a realidade.

Não me posso esquecer de agradecer à editora Clube do Autor pelo passatempo que me permitiu ganhar este livro que me deu tantos momentos de prazer.
 
Até mais! ;)

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